Intercâmbio no Ensino Médio

Como é a volta e a adaptação ao ritmo da escola depois que um adolescente faz intercâmbio

7 de julho de 2016 - Por: Redação


Natalya Lopes passou seis meses no Canadá quando estava na metade da segunda série

Natalya Lopes passou seis meses no Canadá quando estava na metade da segunda série

Conhecer um novo país, estudar em uma escola diferente, aprender um idioma e fazer a primeira viagem internacional ‘sozinho’. Muitos adolescentes sonham em ter a experiência de um intercâmbio no Ensino Médio, mas como é a volta e a adaptação ao ritmo da escola?

Natalya Lopes tem 16 anos, passou seis meses no Canadá quando estava na metade da segunda série e voltou para o Brasil direto para o terceirão. “Faz 13 anos que estudo no mesmo colégio, queria me formar e passar o último ano com todas as pessoas que participaram da minha trajetória”, afirma. Porém, a adaptação não está sendo tão fácil, segundo Natalya. “Sempre estudei bastante, mas o intercâmbio foi como ‘férias’. Tudo que estava estudando lá eu já tinha visto na primeira e segunda séries do Ensino Médio aqui, por isso não precisava estudar tanto”, explica.

 

REPETIR OU NÃO A SÉRIE?

De acordo com Sandro Coelho, coordenador psicopedagógico dos 9ºs anos e Ensino Médio do Colégio Marista Santa Maria, quando o adolescente volta do intercâmbio ele pode optar por continuar os estudos, como fez Natalya, ou recomeçar na mesma série para não perder nenhum conteúdo. “Quem decide repetir fica um tempo a mais na escola, mas curricularmente cumpre os estudos com mais propriedade. Porém, não é a maioria que escolhe essa opção”, argumenta.

 

RETORNO AO RITMO

Uma das dicas de Sandro é o aluno entender que teve uma lacuna e vai precisar se organizar, junto com o seu colégio, para preenchê-la. O coordenador psicopedagógico explica que uma forma de voltar ao ritmo é fazer reforço em matérias que o estudante tem dificuldade ou que não tenha cursado fora.

 

ADAPTAÇÃO CURRICULAR

Em alguns colégios, como no Marista Santa Maria, os alunos contam com um programa de adaptação que a própria escola monta. “Eles têm à disposição um plantão de apoio para sanar dúvidas e o acompanhamento de aprendizado, que é feito quando o estudante precisa estudar mais sobre algum assunto”, explica Sandro.

 

O PAÍS IMPORTA?

Cada país tem um ensino diferente, mas será que em algum deles é mais fácil para o brasileiro se adaptar? O profissional pontua que muitas vezes a questão não é o conteúdo, mas sim o calendário acadêmico. “A grande maioria dos alunos vai para o hemisfério Norte, onde as aulas iniciam em um período diferente, então eles acabam entrando no meio do ano, por isso precisam de uma adaptação”, comenta.

Uma solução para adolescentes que querem fazer intercâmbio é realizá-lo no período de férias. “A experiência é riquíssima e não temos como reproduzi-la aqui, mas também precisamos pensar na questão curricular. Então eu indico o intercâmbio de férias, que minimiza o impacto nos estudos”, sugere.

A adolescente em uma estação de esqui

A adolescente curtindo a viagem em uma estação de esqui

 

VESTIBULAR

O terceiro ano é o menos aconselhado pelo coordenador para que o aluno viaje. “O terceirão é revisional. As escolas preveem que nessa série o estudante consolide as aprendizagens tanto para o vestibular quanto para o ENEM”, relata. A sugestão de Sandro nesses casos é montar um cronograma de estudos mais puxado.

 

COMO OS PAIS PODEM AJUDAR?

Os pais precisam ter muita atenção às mudanças que o filho passou. “A tendência é que em um espaço curto de tempo, o adolescente acabe mudando bastante. Ele vai ter experiências que vão mudar a maneira como lê o mundo, o colégio, a aprendizagem, e os familiares precisam acompanhar essa adaptação”, diz o profissional. Natalya pontua que seus pais têm ajudado na adaptação dando conselhos e conversando, para que ela possa se orientar em todo o estudo que vem pela frente e na escolha da profissão.

 

QUAL A BAGAGEM DO ALUNO?

Segundo Sandro, o aluno retorna mais maduro, pois se depara com diversas realidades e culturas. “Ele começa a respeitar mais a diversidade e seus colegas, percebendo que sua leitura de mundo estava restrita”, diz. A estudante Natalya concorda que muitas mudanças acontecem. “A comunicação, pegar um ônibus para um lugar que eu não sabia direito onde era, confiar em pessoas de tantos países diferentes e não depender do outro me fez uma Natalya melhor! Aprendi que o essencial é saber que somos capazes de fazer tudo que quisermos e realizar todos os sonhos possíveis deste mundo”, finaliza.

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